"Vampiros não existem, mas sim, existem de outra maneira. Alguém suga coisas em você e em mim. A morte é igual, falsa e verdadeira. Mãe do início, avó-do-fim. Que seja a morte o fim da esperança. A morte é o beijo que ficou sem graça; é a velha que já não dança; é quem não gosta de você de graça; é o ciúme que devora e cansa; é a paixão que te incendeia e passa. A morte é a família que te odeia; é a inveja de quem você adora, como um sangue que sabota a veia; é a tua espera quando alguém demora; é o amigo lá da tua aldeia, que esqueceu aonde você mora. Que seja a morte, a morte de quem você quer bem; é o vício de quem espera a sorte, pra quem a sorte nunca vem; é a morte de quem vem do Norte, e passa a vida esperando o trem; é o pai que não diz que te ama; para alguns, Castelo de Vestal; pra mim, é quando alguém me engana; para alguns, é só ponto final. A morte é o quadro-negro com saudade da mão com giz. Para alguns, é dor; para outros, sossego. A platéia vazia é a morte da atriz. Por fim, é um brinde a viver sem medo.
Que a vida compense, e que seja feliz."
Que a vida compense, e que seja feliz."
Oswaldo Montenegro (♥) in Que a vida compense e seja feliz